O texto discute a constituição de subjetivações políticas nos espaços urbanos, examinando como práticas sociais concretas reconfi guram a normatividade que estrutura a vida nas cidades. Partindo do debate sobre o “direito à cidade”, argumenta-se que a política urbana contemporânea se afi rma para além da clássica lógica de inclusão e exclusão, operando uma dinâmica seletiva, instável e plural de pertencimentos. Evidencia-se que os sujeitos não preexistem à cena política, mas se constituem performativamente ao ocupar, atravessar e ressignifi car o espaço urbano. As heterotopias, os atravessamentos e as práticas infragovernamentais demonstram que resistências, adaptações e agenciamentos cotidianos produzem fi ssuras no ordenamento urbano e nos discursos institucio-nalizados. Exemplos como a reinvenção dos subúrbios por imigrantes latino-americanos ou os processos de subjetivação de refugiados evidenciam formas de negociação e contraconduta que desestabilizam categorias rígidas de cidadania e identidade. Nesse contexto, a política aparece como acontecimento contingente, marcado pela emergência de singularidades capazes de deslocar a ordem policial. O urbano, portanto, confi gura-se como espaço privilegiado de experimentação democrática, no qual diferenças convivem, chocam-se e produzem novas possibilidades de vida comum.

The text discusses the constitution of political subjectivities in urban spaces, examining how concrete social practices reconfi gure the normativity that structures life in cities. Drawing on the debate surrounding the “right to the city,” it argues that contemporary urban politics operates beyond the classical logic of inclusion and exclusion, instead mobilizing a selective, unstable, and plural dynamic of belonging. It shows that subjects do not preexist the political scene but are performatively constituted through occupying, crossing, and resignifying urban space. Heterotopias, spatial crossings, and infragovernmental practices reveal how everyday forms of resistance, adaptation, and agency create fi ssures in urban ordering and in institutionalized discourses. Examples such as the reinvention of suburbs by Latin American immigrants or the processes of subjectivation among refugees highlight forms of negotiation and counter-conduct that destabilize rigid categories of citizenship and identity. In this context, politics appears as a contingent event, marked by the emergence of singularities capable of displacing the police order. The urban thus emerges as a privileged space of democratic experimentation, in which diff erences coexist, collide, and generate new possibilities for life in common.

SUBJETIVAÇÕES POLÍTICAS NOS ESPAÇOS URBANOS

Antonio Tucci
2026

Abstract

The text discusses the constitution of political subjectivities in urban spaces, examining how concrete social practices reconfi gure the normativity that structures life in cities. Drawing on the debate surrounding the “right to the city,” it argues that contemporary urban politics operates beyond the classical logic of inclusion and exclusion, instead mobilizing a selective, unstable, and plural dynamic of belonging. It shows that subjects do not preexist the political scene but are performatively constituted through occupying, crossing, and resignifying urban space. Heterotopias, spatial crossings, and infragovernmental practices reveal how everyday forms of resistance, adaptation, and agency create fi ssures in urban ordering and in institutionalized discourses. Examples such as the reinvention of suburbs by Latin American immigrants or the processes of subjectivation among refugees highlight forms of negotiation and counter-conduct that destabilize rigid categories of citizenship and identity. In this context, politics appears as a contingent event, marked by the emergence of singularities capable of displacing the police order. The urban thus emerges as a privileged space of democratic experimentation, in which diff erences coexist, collide, and generate new possibilities for life in common.
2026
O texto discute a constituição de subjetivações políticas nos espaços urbanos, examinando como práticas sociais concretas reconfi guram a normatividade que estrutura a vida nas cidades. Partindo do debate sobre o “direito à cidade”, argumenta-se que a política urbana contemporânea se afi rma para além da clássica lógica de inclusão e exclusão, operando uma dinâmica seletiva, instável e plural de pertencimentos. Evidencia-se que os sujeitos não preexistem à cena política, mas se constituem performativamente ao ocupar, atravessar e ressignifi car o espaço urbano. As heterotopias, os atravessamentos e as práticas infragovernamentais demonstram que resistências, adaptações e agenciamentos cotidianos produzem fi ssuras no ordenamento urbano e nos discursos institucio-nalizados. Exemplos como a reinvenção dos subúrbios por imigrantes latino-americanos ou os processos de subjetivação de refugiados evidenciam formas de negociação e contraconduta que desestabilizam categorias rígidas de cidadania e identidade. Nesse contexto, a política aparece como acontecimento contingente, marcado pela emergência de singularidades capazes de deslocar a ordem policial. O urbano, portanto, confi gura-se como espaço privilegiado de experimentação democrática, no qual diferenças convivem, chocam-se e produzem novas possibilidades de vida comum.
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