O artigo analisa as transformações contemporâneas das formas de governo e dos processos de acumulação no contexto do capitalismo de plataformas, articulando uma leitura crítica da passagem da governamentalidade biopolítica para a governamentalidade algorítmica. Partindo das contribuições de Michel Foucault, compreende-se o governo não como exercício soberano do poder, mas como um conjunto de técnicas destinadas a conduzir condutas, gerir a vida e orientar comportamentos. Nesse horizonte, demonstra-se como a revolução informacional e a centralidade das plataformas digitais recon  guram tanto os mecanismos de produção de verdade quanto as formas de exercício do poder, deslocando a vida social para um regime de cálculo permanente baseado em dados, estatísticas e algoritmos. Sustenta-se que o governo algorítmico não substitui a biopolítica, mas a radicaliza, convertendo experiências vividas em   uxos de dados abstratos e operando uma modelagem preditiva dos comportamentos. Paralelamente, examina-se a reestruturação dos processos de acumulação de valor, marcada pela captura do comum digital, pela data  cação da vida cotidiana e pela subsunção das capacidades cognitivas, afetivas e relacionais dos sujeitos. Por   m, aponta-se para a necessidade de politizar a infraestrutura digital e repensar as subjetividades como condição para a emergência de práticas de resistência frente à ordem algorítmica do poder.

GOVERNO E ACUMULAÇÃO NA ERA DO CAPITALISMO DAS PLATAFORMAS

sandro luce
2026

Abstract

O artigo analisa as transformações contemporâneas das formas de governo e dos processos de acumulação no contexto do capitalismo de plataformas, articulando uma leitura crítica da passagem da governamentalidade biopolítica para a governamentalidade algorítmica. Partindo das contribuições de Michel Foucault, compreende-se o governo não como exercício soberano do poder, mas como um conjunto de técnicas destinadas a conduzir condutas, gerir a vida e orientar comportamentos. Nesse horizonte, demonstra-se como a revolução informacional e a centralidade das plataformas digitais recon  guram tanto os mecanismos de produção de verdade quanto as formas de exercício do poder, deslocando a vida social para um regime de cálculo permanente baseado em dados, estatísticas e algoritmos. Sustenta-se que o governo algorítmico não substitui a biopolítica, mas a radicaliza, convertendo experiências vividas em   uxos de dados abstratos e operando uma modelagem preditiva dos comportamentos. Paralelamente, examina-se a reestruturação dos processos de acumulação de valor, marcada pela captura do comum digital, pela data  cação da vida cotidiana e pela subsunção das capacidades cognitivas, afetivas e relacionais dos sujeitos. Por   m, aponta-se para a necessidade de politizar a infraestrutura digital e repensar as subjetividades como condição para a emergência de práticas de resistência frente à ordem algorítmica do poder.
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